Técnico a reparar uma placa eletrónica de ar condicionado com um multímetro numa oficina

Condensados do ar condicionado: a drenagem é a primeira causa de danos por água depois de uma instalação malfeita

L'équipe Proclimo

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31 ago 2026 - 08 min de leitura

Há uma estatística que as seguradoras observam com atenção desde o verão de 2026: a proporção de participações de danos por água associadas a um equipamento de ar condicionado. Era marginal há cinco anos. Já não é.

A razão é aritmética. O IVA reduzido para 5,5 % nas bombas de calor ar-ar em julho de 2026 provocou um volume de instalações sem precedentes, realizado à pressa por um setor já em rutura de mão de obra. Ora, num ar condicionado, a parte frigorífica raramente é feita à pressa: está à vista, é testada, e uma fuga de fluido nota-se de imediato. A parte que falha é a drenagem dos condensados. Um tubo de 16 mm de diâmetro, invisível assim que a parede é fechada, e do qual ninguém fala na altura do orçamento.

E é precisamente ele que transforma um conforto de verão num sinistro de seguro.

Técnico a reparar uma placa eletrónica de ar condicionado com um multímetro numa oficina

De onde vem toda esta água?

Em modo de arrefecimento, a unidade interior arrefece o ar da divisão fazendo-o passar por um permutador a uma temperatura inferior ao ponto de orvalho. A humidade do ar condensa nas alhetas, exatamente como num copo de água gelada acabado de sair do frigorífico, e escorre depois para um tabuleiro situado por baixo do permutador.

Os volumes surpreendem sempre quem os mede pela primeira vez:

SituaçãoProdução de condensados
Split mural de 2,5 kW, dia seco a 30 °C0,5 a 1,5 L/dia
Split mural de 2,5 kW, episódio húmido (litoral, trovoada)3 a 6 L/dia
Conduta (gainable) de 7 kW em onda de calor prolongada10 a 20 L/dia
Unidade exterior em descongelamento de inverno1 a 3 L por ciclo de descongelamento

Esta última linha é a grande esquecida. Em modo de aquecimento, é a unidade exterior que se cobre de gelo e que, em cada descongelamento, liberta vários litros de água no chão. Num terraço com inclinação para a fachada, num patamar de condomínio ou por cima da entrada de um prédio, a água congela durante a noite e cria uma placa de gelo. Vários municípios já tiveram de dirimir litígios por este motivo preciso.

Os quatro defeitos de drenagem mais frequentes

1. A contrainclinação

É o grande clássico. O tubo de condensados funciona por gravidade: precisa de uma inclinação contínua de pelo menos 1 cm por metro, idealmente 2. Quando o instalador faz passar o tubo por trás de um móvel, contorna um montante de parede ou sobe alguns centímetros para chegar a um furo já existente, cria um ponto baixo. A água fica estagnada, desenvolvem-se biofilmes e o entupimento forma-se em duas estações.

Sintoma típico: o ar condicionado não pinga no primeiro ano, pinga no terceiro — em plena onda de calor, quando a produção de condensados é máxima.

2. A ausência de sifão

Uma unidade interior em depressão aspira ar pelo tubo de drenagem se este não tiver sifão. Resultado: gorgolejos permanentes, uma drenagem que se faz mal e, sobretudo, retorno de odores quando o tubo foi ligado à rede de águas residuais. Esta ligação direta a um escoamento de lavatório, muito comum em obras de renovação, é aliás de evitar sem guarda de água: é a porta aberta aos cheiros de esgoto na sala.

3. A bomba de elevação deixada entregue a si mesma

Quando a gravidade não é possível — split numa cave, unidade de conduta em teto falso, unidade interior abaixo do nível do ponto de descarga —, o instalador coloca uma bomba de elevação. É um pequeno aparelho eletromecânico com um flutuador, uma turbina e um contacto de segurança. Tem uma vida útil limitada, suja-se e não avisa quando começa a fraquejar.

Nas instalações corretamente executadas, o contacto de alarme da bomba está ligado à placa eletrónica do ar condicionado: em caso de nível alto, a máquina desliga-se. Em muitas instalações feitas à pressa, esse fio não é ligado. A bomba avaria, o tabuleiro transborda e o ar condicionado continua tranquilamente a produzir água durante três dias.

4. O furo na parede mal executado

O furo passante por onde passa a ligação frigorífica deve ser feito com inclinação para o exterior e tapado com um mástique flexível. Furado na horizontal ou com inclinação para dentro, traz a água da chuva e os condensados da conduta para o interior da parede. Não se vê nada durante dois invernos, depois aparece uma mancha e o isolamento acaba por ceder.

Casa branca com duas unidades exteriores de ar condicionado na fachada, sob a neve

Os sinais de alerta a conhecer

Uma drenagem que entope nunca o faz de forma brusca. Avisa, desde que se saiba escutar.

  • Um gorgolejar recorrente ao parar ou ao arrancar da unidade interior: presença de ar no circuito, sifão em falta ou tubo parcialmente obstruído.
  • Gotas na parede, sob a extremidade esquerda ou direita do split: o tabuleiro transborda pelo lado oposto ao da drenagem, sinal clássico de entupimento ou de contrainclinação.
  • Um cheiro a terra húmida ou a mofo logo ao ligar: é o biofilme no tabuleiro e no tubo. É também uma questão sanitária, tendo a ANSES lembrado regularmente que os tabuleiros de condensados estagnados constituem um meio de proliferação microbiana nos sistemas de tratamento de ar.
  • Uma bomba de elevação que trabalha em contínuo em vez de arrancar em ciclos curtos de alguns segundos: a válvula antirretorno está gasta e a água volta a descer em ciclo.
  • Um código de avaria de nível alto no comando à distância, muitas vezes apresentado de forma críptica (P-qualquer coisa, consoante as marcas). Nunca é um falso alarme.

Um simples detetor de fuga de água ligado à Internet colocado no chão por baixo de uma unidade de conduta em teto falso ou ao lado de uma bomba de elevação numa cave custa algumas dezenas de euros e alerta no smartphone antes de o teto do vizinho ficar encharcado. É, em relação custo/risco evitado, uma das melhores compras possíveis para uma habitação com ar condicionado.

O que pode fazer você mesmo

A manutenção do circuito de condensados não implica manipulação de fluido frigorigéneo: não exige, portanto, qualquer certificado de aptidão e pode perfeitamente fazer uma parte dela. Atenção, porém: corte a alimentação elétrica no disjuntor antes de qualquer intervenção e nunca desmonte a carcaça de um split se não se sentir à vontade — os clipes partem-se com facilidade e o permutador corta.

Duas vezes por ano, idealmente em maio e em outubro:

  1. Verificar o escoamento. Deite lentamente 0,5 L de água morna no tabuleiro (acessível levantando a grelha e o filtro na maioria dos splits murais) e confirme que a água sai do lado exterior em menos de um minuto.
  2. Limpar os filtros. Um filtro sujo baixa a temperatura do permutador, aumenta a condensação e projeta gotículas para fora do tabuleiro. É a causa mais banal e mais frequente do «ar condicionado que pinga».
  3. Tratar o tabuleiro. Uma pastilha antialgas para tabuleiro de condensados colocada no tabuleiro na primavera limita a formação de biofilme durante toda a estação. Dissolvem-se lentamente e custam uns poucos euros.
  4. Soprar o tubo. A partir da extremidade exterior, uma bomba manual de ar para circuito de condensados permite soltar um entupimento incipiente sem desmontar seja o que for. Deve usar-se soprando para o exterior a partir do interior, nunca ao contrário, sob pena de empurrar o entupimento de volta para o tabuleiro.
  5. Testar a bomba de elevação. Levante manualmente o flutuador: a bomba deve arrancar de imediato e parar de forma seca ao soltá-lo.

O que continua a ser da competência do profissional: a limpeza química do permutador, a substituição de uma bomba, a correção de uma inclinação e, claro, tudo o que toca ao circuito frigorífico.

O tema incómodo: quem paga em caso de danos por água?

É aqui que as coisas se tornam concretas, sobretudo em prédios.

Em moradia individual

A água que se infiltra numa parede é coberta pelo seu seguro multirriscos habitação, garantia de danos por água. Mas a questão da causa condiciona o direito de regresso. Se a origem for um defeito de instalação — contrainclinação, ausência de sifão, alarme não ligado —, a seguradora pode voltar-se contra o instalador.

Podem ser acionadas duas garantias legais:

  • A garantia de perfeito acabamento (artigo 1792-6 do Código Civil francês), que cobre durante um ano após a receção qualquer anomalia comunicada.
  • A garantia decenal (artigo 1792), quando a anomalia torna a obra imprópria para o fim a que se destina — uma infiltração que degrada duradouramente uma parede ou um pavimento entra neste âmbito. O instalador certificado RGE está obrigatoriamente segurado a este título e deve entregar-lhe o comprovativo do seguro decenal a simples pedido.

Reflexo útil: guarde o orçamento, a fatura, o comprovativo do seguro e as fotografias da obra antes do fecho das paredes. Sem esses elementos, a discussão técnica transforma-se numa discussão de palavra contra palavra.

Em condomínio

O caso mais frequente: um split instalado em sua casa, uma bomba de elevação que avaria, um teto manchado em casa do vizinho de baixo. A convenção IRSI (Indemnização e Recursos de Sinistros em Imóveis) aplica-se a sinistros até 5 000 € sem IVA e designa a seguradora gestora consoante a fração onde se situa a causa do sinistro. Acima desse valor, volta-se ao direito comum e à peritagem contraditória.

Um ponto que muitos condóminos descobrem tarde de mais: se a instalação tiver sido realizada sem autorização da assembleia geral quando afeta uma parte comum (furo na fachada, fixação da unidade exterior numa parede de suporte ou numa fachada), a sua posição é muito frágil. O administrador do condomínio pode exigir a remoção e a seguradora pode invocar o agravamento não declarado do risco.

Ar condicionado mural branco instalado numa parede de madeira, numa sala luminosa aberta para a cozinha

As boas perguntas a fazer ANTES da instalação

O melhor momento para tratar o tema dos condensados é na fase de orçamento. Eis as cinco perguntas que distinguem um instalador sério de um montador apressado:

1. A drenagem é feita por gravidade ou por bomba de elevação?

2. Se for por bomba: o contacto de segurança de nível alto será ligado à placa do ar condicionado para desligar a máquina?

3. Onde desemboca exatamente o condensado? (Descarga na fachada, para o passeio ou para casa do vizinho: proibido na maioria dos regulamentos municipais e de condomínio.)

4. O tubo está isolado nas partes que atravessam espaços não aquecidos? (Sem isolamento, condensa por sua vez e molha o isolamento.)

5. O furo na parede tem inclinação para o exterior e com que mástique será tapado?

Faça constar as respostas por escrito no orçamento. Um instalador que se recusa a escrevê-las diz-lhe muito.

Nas instalações de conduta e em teto falso, exija igualmente um acesso de visita: um alçapão de 40 × 40 cm em frente ao tabuleiro e à bomba. Sem alçapão, a mais pequena manutenção passa a implicar um corte de placa de gesso de 300 €.

O caso particular da unidade exterior no inverno

Como já referimos: em modo de aquecimento, a produção de água desloca-se para fora. Três precauções simples, a tomar antes do outono:

  • Um tabuleiro de recolha com drenagem por baixo da unidade exterior, ligado a um escoamento pluvial. Evita o escorrimento no terraço e o gelo.
  • Um cabo de aquecimento autorregulável para drenagem de condensados nas regiões onde as temperaturas descem regularmente abaixo de −5 °C: sem ele, o tubo congela, a água fica no tabuleiro da unidade exterior e o descongelamento degrada-se.
  • Uma elevação da unidade sobre apoios ou consola, a pelo menos 15 cm do solo, para que a água não fique estagnada por baixo da máquina e a neve não obstrua a saída de ar.

Este último ponto condiciona igualmente o rendimento: uma unidade exterior mergulhada na sua própria água volta a congelar permanentemente e faz cair o COP.

Em resumo

A drenagem dos condensados é a rubrica mais barata de uma instalação de ar condicionado — algumas dezenas de euros de material — e a que gera os sinistros mais dispendiosos. Num ano de 2026 marcado por um volume de instalações inédito e por prazos apertados, é precisamente o pormenor que se salta.

Bastam três reflexos para afastar o essencial do risco: fazer escrever o modo de drenagem no orçamento, verificar pessoalmente o escoamento duas vezes por ano e colocar um detetor de água onde uma fuga não seria visível. O resto é seguro e arrependimento.

Fontes regulamentares citadas: Código Civil francês (artigos 1792 e 1792-6), convenção IRSI aplicável aos danos por água em imóveis, trabalhos da ANSES sobre a qualidade do ar interior e os sistemas de tratamento de ar. Os volumes de condensados indicados são ordens de grandeza observadas em exploração e variam fortemente consoante a humidade.

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