
Quanto custa realmente o ar condicionado na fatura? Descodificar o consumo em kWh em 2026
L'équipe Proclimo
13 set 2026 - 08 min de leitura
«O meu ar condicionado tem 3,5 kW, portanto custa-me 3,5 kWh por hora?» É a pergunta que mais se ouve nos instaladores desde que o IVA a 5,5 % fez disparar a instalação de bombas de calor ar-ar. E a resposta é não: nesse número de 3,5 kW não há eletricidade, há frio (ou calor) restituído. A eletricidade realmente absorvida anda antes à volta dos 0,7 a 1,1 kW em condições normais. Por outras palavras: um fator de 3 a 5 entre aquilo que julgamos pagar e aquilo que pagamos de facto.
Este mal-entendido sai caro nos dois sentidos. Há famílias que não se atrevem a ligar o ar condicionado em plena onda de calor com medo de uma fatura absurda; outras deixam-no a trabalhar a 19 °C com as janelas entreabertas e descobrem a conta em novembro. Este artigo propõe a única coisa útil: um método de cálculo honesto, ordens de grandeza verificáveis e as três ou quatro regulações que realmente alteram o valor final.

Potência frigorífica e potência absorvida: não confundir os dois números
Na ficha técnica de um split mural convivem três grandezas e só uma delas lhe interessa para a fatura.
- A potência frigorífica (ou calorífica, em modo aquecimento), expressa em kW: é a energia térmica restituída à divisão. É ela que dá o «2,5 kW», «3,5 kW» ou «5 kW» do vendedor.
- A potência absorvida, também em kW: a eletricidade consumida pelo compressor, pelos ventiladores e pela eletrónica. É isto que o contador regista.
- A relação entre as duas, chamada EER em frio e COP em calor, é o rendimento instantâneo. Uma bomba de calor ar-ar moderna apresenta correntemente um COP de 4: 1 kWh de eletricidade → 4 kWh de calor.
As etiquetas energéticas, por seu lado, não falam de COP, mas de SEER (frio) e SCOP (calor), que são rendimentos sazonais, calculados sobre um perfil de temperatura representativo de toda uma estação, de acordo com o regulamento europeu 206/2012 e a norma EN 14825. São estes que devem ser usados num cálculo anual, e não o COP nominal, sempre mais lisonjeiro.
| Classe energética (frio) | SEER indicativo | Interpretação |
|---|---|---|
| A+++ | ≥ 8,5 | Gama alta, inverter muito bem dimensionado |
| A++ | 6,1 – 8,5 | Padrão dos bons modelos murais de 2026 |
| A+ | 5,6 – 6,1 | Gama de entrada recente |
| A | 5,1 – 5,6 | Gerações antigas, monoblocos |
Um ar condicionado portátil monobloco, por não ter unidade exterior e por causa do ar quente aspirado a partir da própria divisão, fica muitas vezes limitado a SEER 2,6 a 3,0: para o mesmo conforto, consome duas a três vezes mais do que um split fixo. É a maior diferença de todo o setor.
A fórmula a reter (e dois exemplos com números)
O cálculo cabe numa linha:
Consumo anual (kWh) = necessidade térmica anual (kWh) ÷ SEER ou SCOP
E para uma estimativa rápida por hora:
Custo horário (€) = potência absorvida (kW) × preço do kWh (€)
A 1 de setembro de 2026, a tarifa regulada de venda de eletricidade em opção base ronda os 0,20 a 0,21 € com impostos por kWh, segundo as evoluções publicadas pela Commission de régulation de l'énergie; em opção de horas de vazio, desce frequentemente abaixo dos 0,17 € durante a noite. Fiquemos com 0,20 € para os exemplos, sabendo que é preciso substituir este valor pelo do seu próprio contrato — ele figura de forma clara na sua fatura, na linha «preço do kWh sem/com IVA».
Exemplo 1 — arrefecer uma sala de 30 m² no verão. Split mural de 3,5 kW, SEER 7. Em funcionamento real, com a regulação inverter, a potência absorvida média situa-se à volta de 0,5 kW num dia típico (o compressor modula e quase nunca trabalha a plena carga).
- 8 horas por dia × 0,5 kW = 4 kWh/dia, ou seja 0,80 €/dia
- Em 60 dias de utilização estival: 240 kWh, cerca de 48 €
Exemplo 2 — aquecer 80 m² durante todo o inverno com bomba de calor ar-ar. Necessidade de aquecimento estimada em 7 000 kWh térmicos para uma habitação corretamente isolada. SCOP de 4,2.
- 7 000 ÷ 4,2 = 1 667 kWh elétricos, ou seja cerca de 333 € ao longo da estação
- A comparar com os 7 000 kWh de convetores elétricos clássicos: 1 400 €
É no aquecimento, e não na climatização, que a bomba de calor ar-ar faz a diferença financeira. O uso estival, esse, custa muito menos do que a maioria das famílias receia: a ADEME situa o consumo de climatização de uma habitação individual equipada entre 150 e 600 kWh por ano, consoante a zona climática e o uso.
Medir em vez de estimar: o único dado que não mente
Todos os cálculos acima são ordens de grandeza. A sua instalação, o seu isolamento e os seus hábitos criam diferenças de 1 para 3. Há duas formas simples de obter o número real.
O contador inteligente. Desligue tudo exceto o ar condicionado durante uma hora de funcionamento estável e registe o índice antes/depois: obtém diretamente o consumo horário em kWh. A área de cliente do operador de rede permite também ativar a curva de carga horária, que torna muito legível o pico de consumo no arranque do compressor.
Um aparelho de medição dedicado. Para um portátil ou um split ligado a uma tomada, um wattímetro de tomada com visor em kWh custa uns vinte euros e resolve a discussão numa noite. Para uma unidade ligada a um circuito dedicado — o caso mais frequente — é necessária uma pinça amperimétrica de medição ou um módulo de monitorização no quadro elétrico instalado por um eletricista, que envia o consumo em tempo real para o smartphone.

Feita a medição, guarde-a: é a sua referência. Se no ano seguinte a mesma divisão, às mesmas temperaturas, consumir 30 % a mais, há um problema — permutador sujo, carga de fluido incorreta, filtros saturados — e não uma derrapagem do preço da eletricidade.
As cinco regulações que realmente pesam na fatura
1. A temperatura de referência, de longe a primeira alavanca
Cada grau a menos na temperatura definida no verão aumenta o consumo em cerca de 7 %, segundo a ADEME. A diferença recomendada pela agência entre interior e exterior é de 5 a 7 °C no máximo, com uma temperatura raramente inferior a 26 °C. Passar de 26 para 22 °C significa, portanto, quase 30 % de consumo adicional — e um desconforto térmico ao regressar à rua.
No inverno, a mesma lógica invertida: o Code de l'énergie fixa em 19 °C a temperatura média de aquecimento dos locais de habitação (artigo R241-26). Cada grau acima custa cerca de 7 % a mais.
2. O modo «Auto» do ventilador, não a velocidade mínima
Contraintuitivo, mas verificado: limitar o ventilador interior ao mínimo para «poupar» obriga o compressor a trabalhar mais tempo para atingir a temperatura definida. O modo automático deixa a máquina escolher o par caudal/compressor mais eficiente. O único caso em que se baixa manualmente a velocidade é à noite, por causa do ruído.
3. O funcionamento com a porta fechada e os estores descidos
Um split arrefece o volume que lhe é confiado. Deixar as portas abertas para um corredor e uma caixa de escadas é multiplicar esse volume por dois ou três. E como a principal fonte de ganhos de calor no verão continua a ser a radiação solar através dos vidros, uma proteção exterior — estore de rolo, tela screen ou, na falta disso, uma película solar para vidros aplicada pelo interior — reduz a necessidade frigorífica antes mesmo de ela existir. As medições do CSTB situam o ganho em 20 a 40 % menos de ganhos solares, consoante a exposição.
4. A programação horária, ajustada ao seu contrato
Desde a reformulação dos períodos de horas de vazio que entrou em vigor em 2026, uma parte das famílias dispõe agora de períodos de vazio a meio do dia no verão, além da noite. Na prática, pré-arrefecer a habitação durante esses períodos e deixar depois a inércia trabalhar pode fazer baixar o custo em 10 a 15 % com um consumo praticamente idêntico. Verifique os seus períodos exatos na fatura ou na área de cliente do seu fornecedor: mudaram para muitos assinantes.
5. A limpeza dos filtros
Dois filtros sujos reduzem o caudal de ar, e portanto o rendimento, em 5 a 15 %. Um kit de limpeza para ar condicionado com spray desinfetante para o permutador é suficiente para a manutenção corrente a cada 4 a 6 semanas em plena estação. A manutenção anual por um profissional continua, de resto, a ser obrigatória para os sistemas com mais de 4 kW (decreto n.º 2020-912).
Quanto custa o ar condicionado face a outras soluções
Para situar o ar condicionado no orçamento de uma família, eis algumas ordens de grandeza para arrefecer uma divisão de 25 m² durante 8 horas, a 0,20 €/kWh.
| Equipamento | Potência absorvida média | Custo / 8 h |
|---|---|---|
| Ventoinha de teto | 0,05 kW | 0,08 € |
| Ventoinha de coluna | 0,05 kW | 0,08 € |
| Climatizador evaporativo | 0,1 kW | 0,16 € |
| Ar condicionado portátil monobloco | 1,0 kW | 1,60 € |
| Split fixo inverter A++ | 0,5 kW | 0,80 € |
A lição é dupla. Primeiro, uma ventoinha de teto consome vinte vezes menos do que um split e permite ganhar 2 a 3 °C de temperatura sentida: é o complemento mais rentável de todo o arsenal, mas nunca o substituto em caso de onda de calor severa. Depois, o split fixo é mais barato de usar do que o portátil, apesar de uma potência superior — o inverso do que a intuição sugere.

As armadilhas de faturação que não se veem chegar
O sobredimensionamento. Um aparelho demasiado potente para a divisão funciona em ciclos curtos de ligar/desligar. Cada arranque do compressor consome um pico de potência importante, e a regulação inverter perde todo o interesse. Um split de 5 kW num quarto de 12 m² consumirá mais do que um de 2,5 kW corretamente dimensionado, além de desumidificar pior. Exija do seu instalador um balanço térmico por escrito e não uma regra de três simples por metro quadrado.
A potência contratada. O arranque simultâneo de vários splits, somado ao forno e ao termoacumulador, pode fazer disparar um contrato de 6 kVA. Passar para 9 kVA custa uns vinte euros adicionais de assinatura anual — uma decisão a tomar antes do verão, e não num domingo de julho.
A resistência de apoio no inverno. Muitas bombas de calor ar-ar integram, ou são acompanhadas por, um apoio elétrico direto. Abaixo dos −7 °C, ou durante os ciclos de descongelação, o rendimento cai e o apoio assume o comando com COP 1. Numa semana de grande frio, a fatura pode duplicar sem que nada esteja avariado. Não é uma avaria, é física.
O modo de espera permanente. Um split deixado sob tensão consome 2 a 8 W em permanência, ou seja, 20 a 70 kWh por ano para quatro unidades. Anedótico isoladamente, mas equivale a um mês de arrefecimento.
Em resumo
- Nunca confunda potência frigorífica (o número comercial) com potência absorvida (o número da fatura): a relação vai de 3 a 5.
- Para uma estimativa anual, divida a sua necessidade térmica pelo SEER ou pelo SCOP, nunca pelo COP nominal.
- Meça pelo menos uma vez com um wattímetro ou com a curva de carga do contador: é o seu ponto de referência para detetar qualquer derrapagem.
- As três alavancas gratuitas — temperatura razoável, proteção solar, portas fechadas — pesam mais do que qualquer mudança de equipamento.
- No aquecimento, a bomba de calor ar-ar divide a fatura por 3 a 4 face aos convetores; em frio, o seu custo real fica muito abaixo dos receios habituais.
Fontes: ADEME (guia «Se rafraîchir sans se ruiner»), regulamento europeu 206/2012 e norma EN 14825 para os SEER/SCOP, Commission de régulation de l'énergie para as tarifas reguladas de 2026, Code de l'énergie artigo R241-26, decreto n.º 2020-912 relativo à manutenção dos sistemas termodinâmicos.
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