Instalação técnica composta por boilers de água quente e uma unidade de bomba de calor numa sala branca.

Poluentes eternos e climatização: quais os riscos para os seus equipamentos em 2026?

L'équipe Proclimo

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11 ago 2026 - 04 min de leitura

O ano de 2026 marca um ponto de viragem não apenas fiscal e regulatório para o conforto térmico, mas também ambiental. Enquanto nos habituamos à generalização das bombas de calor (PAC) para responder às sucessivas ondas de calor, um novo tema emerge no debate público e técnico: o dos PFAS, ou substâncias per e polifluoroalquiladas, apelidadas de «poluentes eternos».

Durante muito tempo invisíveis para o grande público, estes compostos químicos são omnipresentes na indústria, especialmente pelas suas propriedades hidrofóbicas e oleofóbicas. No setor do climatização (AVAC), encontram-se em alguns componentes e, sobretudo, na composição química de muitos fluidos refrigerantes. O problema? A sua persistência quase infinita no ambiente e a sua acumulação na cadeia alimentar e no corpo humano.

Compreender a ligação entre PFAS e sistemas de climatização

Para compreender por que razão o seu ar condicionado ou a sua bomba de calor poderá estar envolvido, é necessário olhar para a química dos fluidos. Durante décadas, a indústria privilegiou os gases fluorados pela sua eficiência termodinâmica e segurança (ausência de inflamabilidade).

Os fluidos fluorados: o cerne do problema

A maioria dos sistemas instalados até recentemente utiliza HFC (hidrofluorcarbonetos). Embora estes gases tenham permitido substituir os CFC (responsáveis pelo buraco na camada de ozono), continuam a ser poderosos gases com efeito de estufa e, em certos casos, a sua degradação produz substâncias assimiladas aos PFAS.

O ciclo de vida de um aparelho de climatização apresenta três pontos de risco principais:

  1. A fabricação: A utilização de polímeros fluorados para as juntas e revestimentos internos.
  2. A utilização: As fugas lentas, inevitáveis a longo prazo, que libertam estas substâncias na atmosfera.
  3. O fim de vida: O tratamento dos fluidos durante o desmantelamento, caso este não seja efetuado por um profissional certificado.

Técnico a verificar a estanqueidade de uma unidade de ar condicionado

O impacto das regulamentações de 2026 na escolha do material

Face ao alerta lançado por organismos de saúde e ambiente, a regulamentação europeia tornou-se mais rigorosa. O objetivo é claro: abandonar progressivamente as substâncias persistentes para caminhar em direção a soluções «verdes».

A transição para os fluidos naturais

A solução para se libertar dos poluentes eternos reside no regresso aos fluidos naturais. Ao contrário dos gases sintéticos fluorados, os fluidos naturais têm um impacto ambiental quase nulo e não geram PFAS durante a sua decomposição.

Tipo de fluidoDesignaçãoImpacto PFAS / GWPUso comum em 2026
HidrocarbonetoR-290 (Propano)Muito baixo / NuloPAC ar-ar e ares condicionados modernos
Dióxido de carbonoR-744 (CO2)NuloSistemas industriais e PAC de alta temperatura
HFC clássicosR-410A / R-32Elevado / ModeradoInstalações antigas (em fase de saída)

O R-290 (propano) impõe-se hoje como a referência para as instalações residenciais. Não só elimina a problemática dos poluentes eternos, como oferece também um rendimento energético frequentemente superior, reduzindo assim o consumo elétrico do lar.

Como saber se a sua instalação está «em risco»?

É importante não entrar em pânico: um sistema de climatização instalado não difunde PFAS diretamente no ar da sua sala. O risco é ambiental e sistémico. No entanto, para o proprietário preocupado com a sua pegada ecológica, alguns indicadores permitem avaliar o impacto do seu equipamento.

Verificar a ficha técnica do aparelho

Consulte o manual da sua instalação ou pergunte ao seu instalador qual o tipo de fluido utilizado. Se encontrar menções como R-410A, possui um sistema que utiliza fluidos de forte impacto. O R-32 é uma etapa intermédia, menos nocivo, mas ainda assim fluorado. O R-290, por sua vez, representa a opção mais sustentável.

A importância crucial do controlo de estanqueidade

O risco de poluição é multiplicado em caso de fuga. É aqui que o papel do técnico de refrigeração se torna essencial. Um controlo de estanqueidade regular, em conformidade com as normas vigentes, permite evitar que fluidos fluorados escapem para a atmosfera.

Lembrete regulatório: Qualquer manipulação de fluidos refrigerantes deve ser efetuada por um profissional detentor de uma certificação de capacidade. É a única garantia de que o gás será recuperado e tratado sem poluir o ambiente.

Instalação limpa de ar condicionado de parede numa sala moderna

Rumo a uma manutenção «zero poluição»: as boas práticas

Para limitar o impacto dos seus equipamentos de aquecimento e arrefecimento na saúde global e no ambiente, vários reflexos devem ser adotados em 2026.

Privilegiar a substituição em vez da recarga sistemática

Quando uma instalação antiga apresenta fugas abundantes, a tentação é simplesmente «recarregar o gás». No entanto, se o aparelho utiliza um fluido obsoleto e poluente, pode ser mais sensato, económica e ecologicamente, investir numa nova bomba de calor que utilize o R-290.

Com as reduções fiscais e os incentivos à eficiência energética, o custo da substituição é agora amplamente amortizado pelas poupanças de energia e pelos subsídios à instalação.

Exigir a rastreabilidade dos fluidos

Durante uma intervenção de manutenção, solicite ao seu prestador um relatório de intervenção que especifique a quantidade de fluido recuperada e o modo de tratamento. As empresas sérias colaboram com centros de tratamento licenciados para destruir os fluidos fluorados sem deixar vestígios de PFAS na natureza.

Síntese: Climatização e Ambiente em 2026

O desafio dos poluentes eternos obriga-nos a repensar a nossa relação com o conforto térmico. A climatização já não é apenas uma questão de graus Celsius, mas uma questão de química sustentável.

O que deve reter para a sua habitação:

  • O risco: Os PFAS estão ligados aos fluidos fluorados sintéticos e a certos componentes plásticos/juntas.
  • A solução técnica: A transição para fluidos naturais como o R-290 (propano) ou o R-744 (CO2).
  • A ação prioritária: Garantir a estanqueidade perfeita dos seus circuitos para evitar qualquer fuga ambiental.
  • A escolha de compra: Privilegiar equipamentos certificados como «baixo GWP» ou que utilizem fluidos naturais ao renovar o seu material.

Ao escolher tecnologias respeitosas, protege não só o seu conforto imediato perante as ondas de calor, mas participa ativamente na redução da carga química que pesa sobre os ecossistemas. O conforto térmico de amanhã será sustentável, ou não será.

#fluides frigorigènes#climatisation#pompe à chaleur#PAC#CVC

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