Ar condicionado de parede instalado numa parede de tijolo, numa sala luminosa com sofá e janela envidraçada

Condensados do ar condicionado: o escoamento que ninguém verifica (e que causa 1 em cada 5 danos por água)

L'équipe Proclimo

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22 set 2026 - 08 min de leitura

Uma gota, depois duas. Depois uma auréola acastanhada que se alarga na parede, mesmo por baixo da unidade interior. No melhor dos cenários, o proprietário coloca um alguidar e telefona a um instalador. No pior, está de férias, e é a vizinha do andar de baixo que descobre o teto encharcado ao chegar do trabalho.

As seguradoras sabem-no bem: desde a explosão das instalações de splits — acelerada pelas taxas de IVA reduzidas sobre o ar condicionado reversível — as participações de danos por água associadas a um aparelho de ar condicionado aumentam todos os anos. E na esmagadora maioria dos processos, a causa não é o compressor, nem o fluido frigorigéneo, nem um defeito espetacular de construção. É o escoamento dos condensados: um tubo de 16 mm de diâmetro que ninguém olha, até ao dia em que transborda.

Ar condicionado de parede instalado numa parede de tijolo, numa sala luminosa com sofá e janela envidraçada

De onde vem toda esta água?

Um ar condicionado em modo frio arrefece o ar fazendo-o passar por um permutador cuja superfície desce muitas vezes para valores entre 8 e 12 °C. O ar ambiente, carregado de humidade, perde aí parte do seu vapor de água, que se condensa exatamente como numa garrafa acabada de sair do frigorífico. Essa água cai numa bandeja de condensados situada sob o permutador e escoa depois por gravidade (ou por bomba) para o exterior ou para uma rede de águas residuais.

Os volumes surpreendem sempre:

SituaçãoProdução de condensados (ordem de grandeza)
Split de 2,5 kW, apartamento, dia temperado0,3 a 0,8 L/h
Split de 3,5 kW, humidade elevada (litoral, sul do país)1 a 2 L/h
Conduta (gainable) de 7 kW em pico de caloraté 3 L/h

Numa noite de calor extremo a 1,5 L/h, falamos de mais de 12 litros de água que têm de sair da habitação sem causar estragos. O equivalente a um balde, todas as noites.

Atenção a uma ideia feita muito comum: os condensados não aparecem apenas no verão. Uma bomba de calor ar-ar em modo aquecimento produz água ao nível da unidade exterior, durante os ciclos de descongelamento. Uma unidade colocada numa varanda sem escoamento previsto transforma a laje num ringue de patinagem logo nas primeiras geadas de dezembro — um contencioso clássico de condomínio.

As cinco causas de transbordo, por ordem de frequência

1. O biofilme na bandeja e no tubo

É, de longe, a causa n.º 1. A bandeja de condensados é húmida, morna e confinada: um meio ideal para um biofilme bacteriano e fúngico. Ao longo das estações, esse depósito gelatinoso engrossa, migra para o tubo de escoamento e acaba por formar um tampão. A água reflui então para a bandeja, transborda pela lateral da unidade e escorre pela parede.

Este biofilme não é apenas um problema mecânico. A ANSES, nos seus trabalhos sobre a qualidade do ar interior e os sistemas de climatização, recorda que as zonas húmidas das instalações podem alojar microrganismos cuja dispersão no ar é indesejável. Uma unidade interior que cheira a «pano molhado» quando arranca sinaliza quase sempre uma bandeja suja.

2. A inclinação insuficiente ou invertida

O escoamento por gravidade exige uma inclinação contínua de pelo menos 1 cm por metro (as regras da arte do DTU 65.16, relativo às instalações de bombas de calor, impõem um escoamento «sem contrainclinação»). Um tubo que faz uma barriga atrás de um móvel, uma passagem de parede ligeiramente ascendente, uma abraçadeira demasiado apertada que esmaga a mangueira: a água estagna, o biofilme instala-se duas vezes mais depressa e o tampão surge numa estação em vez de cinco.

3. A bomba de condensados avariada

Quando a gravidade não é possível (unidade colocada abaixo do ponto de escoamento, apartamento sem fachada acessível), instala-se uma bomba de condensados. É um pequeno aparelho com boia que aspira a água da bandeja e a eleva até 10 ou 15 metros de altura. Excelente solução… enquanto funciona. A sua vida útil ronda os 5 a 8 anos, e a boia bloqueia assim que se suja.

Ponto crucial: uma bomba corretamente ligada dispõe de um contacto de alarme que corta o ar condicionado em caso de nível alto. Muitas instalações low-cost dispensam essa ligação. Resultado: a bomba falha, o aparelho continua a produzir água e a bandeja transborda a noite inteira.

4. O sifão mal concebido na ligação às águas residuais

Ligar os condensados diretamente à rede de águas residuais é permitido, mas exige um sifão anticheiros e antirretorno. Sem sifão, sobem odores de esgoto para a sala; com um sifão que seca durante o inverno (sem condensados durante seis meses), acontece o mesmo fenómeno. Os sifões de esfera ou de membrana evitam este incómodo.

5. O congelamento do tubo à saída da parede

Em modo aquecimento, a água de descongelamento circula a baixa temperatura. Um tubo que percorre três metros de uma fachada norte pode congelar e formar um tampão de gelo. A água reflui então… para dentro da unidade exterior, e até ao permutador.

Ar condicionado de parede branco instalado por cima de uma televisão, numa sala luminosa com sofás cinzento e amarelo

Diagnosticar por conta própria antes de chamar alguém

Todas as intervenções no circuito frigorífico estão reservadas a quem possui um certificado de aptidão para o manuseamento de fluidos frigorigéneos (regulamento F-Gas e respetiva legislação de aplicação). Em contrapartida, o escoamento dos condensados é matéria de canalização: nada impede um particular de o verificar, desde que corte a alimentação elétrica antes de qualquer manipulação.

Algumas verificações simples, a fazer no final da época de frio — ou seja, agora:

  1. Localizar a saída exterior do tubo. Ponha o aparelho a funcionar em modo frio com temperatura baixa durante 20 minutos num dia húmido: deve pingar água regularmente lá fora. Nada escorre apesar de a unidade estar a trabalhar a fundo? O tampão é provável.
  2. Inspecionar a parte de baixo da unidade interior. Marcas de calcário, escorrimentos, tinta empolada sob o aparelho: a unidade já transbordou, mesmo que nunca o tenha visto.
  3. Cheirar. Um odor a bolor no arranque = bandeja suja.
  4. Ouvir a bomba de condensados. Deve arrancar aos impulsos de alguns segundos e depois parar. Um ronronar contínuo ou uma bomba totalmente silenciosa indicam um problema.
  5. Verificar o traçado. Siga a calha: sem pontos baixos, sem esmagamentos, sem troços ascendentes.

Para os vestígios de humidade invisíveis a olho nu — atrás de um móvel, numa parede de pladur — um medidor de humidade para paredes de pontas ou de ondas dir-lhe-á em trinta segundos se o pladur sob a unidade está são ou saturado. É o acessório que evita descobrir seis meses depois que a lã de vidro está encharcada.

Manutenção: o que se pode fazer, o que se deve delegar

O gesto básico, duas vezes por ano

A limpeza dos filtros da unidade interior condiciona diretamente a limpeza da bandeja: menos poeiras retidas no permutador, menos matéria orgânica para alimentar o biofilme. Um enxaguamento com água morna a cada 4 a 6 semanas na época de utilização intensa, com os filtros perfeitamente secos antes de voltar a montar.

Para o próprio permutador (as alhetas visíveis quando se levanta a tampa), um spray de espuma para limpeza de ar condicionado em aerossol, aplicado sem desmontagem, dissolve os depósitos, que descem depois para a bandeja e partem com os condensados. É imperativo que o escoamento esteja desobstruído antes de avançar, sob pena de transformar uma bandeja suja numa bandeja que transborda.

A desobstrução do tubo

Um tubo ligeiramente colonizado trata-se com uma pastilha antibiofilme para ar condicionado colocada na bandeja: dissolve-se lentamente e impede a reformação do depósito durante vários meses. É um consumível que os técnicos de refrigeração colocam sistematicamente numa manutenção séria; num split doméstico, um particular pode fazê-lo sozinho através da bandeja acessível.

Um tubo francamente entupido, por outro lado, sopra-se ou aspira-se — com um aspirador de água e pó ligado à saída exterior do tubo através de um pano que faz de junta, recupera-se por vezes um tampão de dez centímetros de matéria escura. Operação suja mas eficaz, e sem qualquer risco para o circuito frigorífico, já que só se mexe na linha de água.

O que nunca se faz sozinho: abrir o circuito frigorífico, desapertar uma união flare, «meter mais gás». Estes gestos estão reservados a profissionais detentores do certificado de aptidão, e a empresa tem de possuir um certificado de capacidade. O incumprimento é sancionado, e a sua seguradora servir-se-á disso para recusar qualquer indemnização.

O controlo profissional

Desde o decreto n.º 2020-912, as instalações de climatização e de bombas de calor cuja potência nominal esteja compreendida entre 4 e 70 kW devem ser objeto de uma manutenção periódica obrigatória de dois em dois anos, realizada por um profissional. O escoamento dos condensados faz parte dos pontos verificados, tal como o estado do circuito e o desempenho. Guarde o certificado de manutenção: é ele que fará a diferença em caso de litígio.

Quando a água escorre para casa do vizinho: quem paga?

É aqui que o tema deixa de ser técnico. Um transbordo de condensados que atravessa um pavimento é um dano por água, tratado segundo as regras habituais da convenção IRSI para sinistros até 5 000 €.

Três configurações, três lógicas:

SituaçãoQuem assume os custos
Instalação com menos de 10 anos, defeito de conceção do escoamento (contrainclinação, ausência de sifão, bomba não protegida)Garantia decenal do instalador — a obra é imprópria para o fim a que se destina
Instalação antiga, bandeja sem manutenção, nenhum certificado de manutençãoSeguro multirriscos habitação do ocupante, com risco de redução da indemnização por falta de manutenção
Inquilino, ar condicionado instalado pelo senhorioManutenção corrente (filtros, bandeja acessível) a cargo do inquilino; substituição da bomba ou refazer o escoamento a cargo do proprietário

O ponto decisivo, em todos os casos, é a prova. Fotografias datadas do traçado no momento da instalação, fatura detalhada mencionando a bomba de condensados e o respetivo alarme, certificados de manutenção bienais: é este dossiê que transforma uma «falta de manutenção» numa «má execução de origem». Sem ele, o perito decidirá quase sempre contra o ocupante.

Um pormenor que sai caro: muitos contratos de seguro de habitação excluem os danos causados por um aparelho instalado sem respeito pelas regras da arte. Um ar condicionado instalado por um amigo bricolador, sem fatura nem certificado de capacidade, é uma exclusão de garantia servida em bandeja.

Ar condicionado de parede branco instalado em altura numa sala moderna com sofá de canto cinzento e televisão

As precauções a exigir no momento da instalação

Se a sua instalação ainda está por fazer — e são muitas este ano — algumas linhas no orçamento valem mais do que dez anos de contencioso:

  • Traçado e inclinação do escoamento descritos explicitamente, com a menção «sem contrainclinação».
  • Sifão sistemático em caso de ligação às águas residuais, de preferência de membrana.
  • Bomba de condensados com contacto de alarme ligado ao corte da unidade: a exigir preto no branco.
  • Tubo acessível ou, no mínimo, desmontável no seu troço inferior, para permitir uma futura desobstrução sem partir paredes.
  • Isolamento térmico do tubo nas zonas expostas ao gelo e nos sótãos não aquecidos (um tubo frio num sótão quente também condensa e molha o isolamento).
  • Bandeja de retenção ou escoamento dedicado sob a unidade exterior, se esta estiver colocada numa varanda ou num terraço em condomínio.

Para as unidades exteriores em varanda, um suporte antivibratório para unidade exterior com apoios de borracha resolve dois problemas em simultâneo: eleva o aparelho acima da poça de descongelamento e reduz a transmissão das vibrações para a laje — logo, as queixas da vizinhança.

O calendário do ano

  • Setembro-outubro: fim da época de frio, é o momento ideal. Filtros limpos, bandeja verificada, tubo inspecionado antes da passagem para o modo aquecimento.
  • Novembro: verificar se o escoamento de descongelamento da unidade exterior não se despeja numa zona de passagem.
  • Março-abril: enxaguamento do circuito antes da época de frio, substituição da pastilha antibiofilme.
  • De dois em dois anos: manutenção profissional obrigatória (4 a 70 kW), certificado guardado.
  • A cada 5 a 7 anos: substituição preventiva da bomba de condensados, se a instalação tiver uma.

Um ar condicionado bem instalado pode funcionar quinze anos sem incidentes de maior. Um ar condicionado cujo escoamento nunca foi observado acaba, estatisticamente, por escrever uma carta registada em seu lugar. Entre os dois, há vinte minutos de verificação, duas vezes por ano — e um dossiê de provas que ficará muito contente por ter no dia em que o perito tocar à campainha.

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